quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
distância... o mal que me faz...
Isto realmente faz-me pensar e muito... mesmo a kilómetros de distância não consigo apagar em mim a tua existência! revolta-me a tua falta, entristece-me o teu silêncio... Porquê? Explica-me! Eu preciso de respostas...
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
As "sem" - razões do amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,é semeado no vento,na cachoeira, no eclipse.
Amor é dado de graça,é semeado no vento,na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo bastante ou demais a mim.
Eu te amo porque não amo bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,e da morte vencedor,por mais que o matem
Amor é primo da morte,e da morte vencedor,por mais que o matem
(e matam)a cada instante de amor.
Etiquetas:
Drummond Andrade
Amor e seu tempo
Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É isto, amor:
o ganho não previsto,o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,que, decifrado, nada mais existe
valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógiominúsculo,
vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciênciaherdada, ouvida.
Amor começa tarde.
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É isto, amor:
o ganho não previsto,o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,que, decifrado, nada mais existe
valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógiominúsculo,
vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciênciaherdada, ouvida.
Amor começa tarde.
só quem viveu entende
Só quem viveu entende...
Tudo fica mais excitante.
No encontro escondido
O coração bate forte,
O rosto cora.
Num simples toque de mão.
Não há quem suporte
A emoção da primeira vez,
É emoção de mais.
Mistura de medo e paixão
Arrependimento jamais.
Os sentimentos saltam aos olhos,
As palavras saem entrecortadas.
Parece que o mundo inteiro
Vai descobrir esse pecado.
Mas com tanto amor assim,
Com certeza seremos perdoados.
Rafael do Nascimento Monteiro
Tudo fica mais excitante.
No encontro escondido
O coração bate forte,
O rosto cora.
Num simples toque de mão.
Não há quem suporte
A emoção da primeira vez,
É emoção de mais.
Mistura de medo e paixão
Arrependimento jamais.
Os sentimentos saltam aos olhos,
As palavras saem entrecortadas.
Parece que o mundo inteiro
Vai descobrir esse pecado.
Mas com tanto amor assim,
Com certeza seremos perdoados.
Rafael do Nascimento Monteiro
os outros... tu não
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello
Gosto quando me falas de ti...
e vou te percorrendo e vou descortinando a tua vidana paisagem sem nuvens, cenário de meus desejos tranqüilos
Gosto quando me falas de ti...
e então perceboque antes mesmo de chegar, me adivinhavas,que ninguém te tocou, senão o ventoque não deixa vestígios, e se vaidesfeito em carícias vãs...
Gosto quando me falas de ti... quando aos poucos a luzvasculha todos os cantos de sombra, e eu só te encontroe te reencontro em teus lábios, apenas pintados,maduros,mas nunca mordidos antes da minha audácia.
Gosto quando me falas de ti... e muito mais adiantasem teus olhos descampados, sem emboscadas,e acenas a tua alma, sem dobras, como um lençoldistendido,e descortino o teu destino, como um caminho certo, cuja primeira curvafoi o nosso encontro.
Gosto quando me falas de ti...
porque percebo que te desnudas como uma criança, sem maldade,e que eu cheguei justamente para acordar tua vidaque se desenrola inútil como um noveloque nos cai no chão...
( Poema de JG de Araujo Jorge do livro "Quatro Damas" 1a ed. 1965 )
e vou te percorrendo e vou descortinando a tua vidana paisagem sem nuvens, cenário de meus desejos tranqüilos
Gosto quando me falas de ti...
e então perceboque antes mesmo de chegar, me adivinhavas,que ninguém te tocou, senão o ventoque não deixa vestígios, e se vaidesfeito em carícias vãs...
Gosto quando me falas de ti... quando aos poucos a luzvasculha todos os cantos de sombra, e eu só te encontroe te reencontro em teus lábios, apenas pintados,maduros,mas nunca mordidos antes da minha audácia.
Gosto quando me falas de ti... e muito mais adiantasem teus olhos descampados, sem emboscadas,e acenas a tua alma, sem dobras, como um lençoldistendido,e descortino o teu destino, como um caminho certo, cuja primeira curvafoi o nosso encontro.
Gosto quando me falas de ti...
porque percebo que te desnudas como uma criança, sem maldade,e que eu cheguei justamente para acordar tua vidaque se desenrola inútil como um noveloque nos cai no chão...
( Poema de JG de Araujo Jorge do livro "Quatro Damas" 1a ed. 1965 )
Nossa cama
Olho nossa cama.
Palco vaziosem o drama, sem a comédia,do nosso amor.
A nossa cama branca,branca página, em silêncio,de onde tudo se apagou...
(Meu Deus! quem poderia ler aquelas ânsias, aquêles gemidos,aquêles carinhos que a mão do tempo raspou, como nos velhos pergaminhos?...)
A nossa cama imensa, como a tua ausência,tão ampla, tão lisa, tão branca, tão simplesmente cama,e era, entretanto, um mundo,de anseios, de viagens, de prazer,- oceano, que teve ondas e gritos encapelados,nêle nos debatemos tanta vez como náufragosa nadar... e a morrer...
Olho a nossa cama, palca vazio,em nosso quarto, - teatro fechado –que não se reabrirá nunca mais...
Nossa cama, apenas cama, nada mais que cama alva cama, em sua solidão em seu alvor...
Nossa cama- campa (sem inscrição)do nosso amor.
( Poema de JG de Araujo Jorge, dolivro – Quatro Damas – 1965 )
Palco vaziosem o drama, sem a comédia,do nosso amor.
A nossa cama branca,branca página, em silêncio,de onde tudo se apagou...
(Meu Deus! quem poderia ler aquelas ânsias, aquêles gemidos,aquêles carinhos que a mão do tempo raspou, como nos velhos pergaminhos?...)
A nossa cama imensa, como a tua ausência,tão ampla, tão lisa, tão branca, tão simplesmente cama,e era, entretanto, um mundo,de anseios, de viagens, de prazer,- oceano, que teve ondas e gritos encapelados,nêle nos debatemos tanta vez como náufragosa nadar... e a morrer...
Olho a nossa cama, palca vazio,em nosso quarto, - teatro fechado –que não se reabrirá nunca mais...
Nossa cama, apenas cama, nada mais que cama alva cama, em sua solidão em seu alvor...
Nossa cama- campa (sem inscrição)do nosso amor.
( Poema de JG de Araujo Jorge, dolivro – Quatro Damas – 1965 )
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